Blog da pati

Células-Tronco: o dilema

Publicado por: Patrícia em: 4 Março 2008

Amanhã, quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF ou Supremo de Morango para quem fez aula de direito comigo) irá decidir se o Brasil poderá ou não realizar pesquisas com células-tronco de embriões humanos. A pesquisa estava assegurada pela Lei de Biossegurança firmada em 2005, que previa que poderia se utilizar somente células-tronco de embriões fertilizados in vitro e descartados há pelo menos três anos e com a permissão do casal. Ou seja, seriam embriões sem potencial de gerar um novo ser, mesmo que implantados em um útero. Por sua vez, a lei foi questionada pelo ex-procurador da República Claudio Fonteles tendo o apoio nada mais nada menos de que da CNBB ( Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Mais do que nunca as diferenças entre Ciência e Religião entram em cena e o fato do Brasil ser um estado laico é posto em prova.

Saber quando a vida começa e quando ela termina é mais uma questão pessoal do que senso comum. Acredito que a vida não termine quando a morte chega: a vida pode acabar quando todas as esperanças se perdem e o que resta é vegetar com o que sobrou da vida. Por isso concordo com o que Hebert Vianna, vocalista dos Paralamas do Sucesso que, dentre outras perdas, perdeu a capacidade de memória recente após um acidente aéreo, que fala que proibir esse tipo de pesquisa é “condenar a desesperança completa as pessoas que batalham com uma dificuldade tão delicada”.

Considerar que a vida humana começa na fecundação pode até ter fundamento, mas que sentido essa vida tem nos primeiros dias/mês onde ela mais é um emaranhado de células do que um ser humano? E por mais que alguns considerem sendo uma vida, que mal há em dar nova vida ou pelo menos resgatar a vontade de viver a tanta gente?

Acredito que a pesquisa por células-tronco pode ser o caminho para a cura de muitas pessoas e que o Brasil apenas tem a ganhar em pesquisá-las. Quanto a Igreja, acho que ela deve repensar se realmente suas ideologias são corretas: condenar os métodos anticoncepcionais (pois eles ferem o desejo de Deus da multiplicação da espécie) é permitir que crianças venham ao mundo sem qualquer tipo de estrutura, sendo condenadas a pobreza e todos os seus malefícios. Realmente essa seria a vontade de ‘Deus’?

Baseado em: Folha de S. Paulo

8 Respostas para "Células-Tronco: o dilema"

Olá, creio que você acerta na título: células tronco embrionárias são um dilema.
Mas penso que o fato da Igreja Católica (mas não só ela) se posicionar contra o uso de células tronco embrionárias em pesquisas de modo algum coloca em xeque o Estado laico. É justamente por que o Estado é laico que a decisão está na justiça. Se fosso religioso, a decisão já estaria tomada. Julgar que a vida termina mediante simples crença pessoal é cair no mais profundo relativismo, no qual nenhuma decisão séria, universal e legal pode ser tomada.
Ademais, o debate atual não coloca ciência contra religião. Primeiramente, por que não são todas as religiões que se posicionam e têm peso representativo, em segundo lugar a Igreja Católica é uma instituição e para ela se pode dizer que defende uma posição. E a ciência, é uma instituição? Não. Há cientistas que são contra a pesquisa de células tronco embrionárias. Outros dizem que essas pesquisas seguem interesses econômicos e que células tronco de adultos ou do umbigo oferecem resultados tão bons quanto os que se espera das embrionárias. Desse modo, a ciência está dividida.
Além disso, nada justifica logicamente uma superioridade do saber científico sobre outros saberes. A ciência é efêmera em sua essência. (O livro “Contra o método” de Paul Feyrabend é muito recomendável para esse assunto)
O debate não pode ser suprimido em nome do que alguns chamam de progresso científico. A pragmática científica não pode atropelar os valores morais. Não é que eu defenda a proibição das pesquisas. Há elementos práticos favoráveis para a permissão e argumentos discursivamente coerentes contrários a permissão. Mas uma coisa eu creio com convicção: O debate é muito importante e não se pode deixar que posições irrefletidas sejam vitoriosas. Nesse sentido, Igreja e pessoas favoráveis às pesquisas devem sim debater. Quem resolve é o Estado, que é laico independentemente do que decidir.

É por este tipo de coisa que eu me decepcionei com a instituição Igreja e hoje em dia sigo minhas crenças particulares!!

Quero ver a cura da AIDS, quero ver pessoas não morrerem por causa de câncer!

Deixem as pesquisas ocorrer!! A vida está no mundo aqui fora!!

Discutir com a igreja católica é o mesmo que discutir com um livro empoeirado cheio de dogmas de 2 mil anos. Eu sinceramente não entendo o porque consideram tal opinião de alguma valia ainda.

É o mesmo que perguntar a um partidário de esquerda de que lado ele está, a resposta está encrustada nas ideologias de seu partido e ponto final. Se ele não as tem, então não pertence ao partido. Se você não as tem, então não é católico.

Estou com Piaget, Darwin e outros que acreditam que estamos em constante evolução. Não somos bons, não somos ruins, estamos sim a caminho de algo melhor. Deixe-nos evoluir!

Agora, não me venha dizer que a “santa” Igreja está lutando por moralidade. Por favor, então tenho de crer em Deus para ter moral? Concordo que a ciência não pode passar por cima da moral, mas não é a Igreja que irá defendê-la para mim!

Politicagem barata em nome de Deus… comigo não!

Abraços.

O que dizer….. é um assunto polêmico, ao mesmo tempo que nos deparamos com vidas, ou o início de uma vida, também stamos diante de pessoas a espera de uma cura! Não digo que a Igreja está errada, pois a vida é sim valiosa e preciosa, e o respeito a ela é essencial pra mantermos o equilíbrio das coisas! Mesmo que um embrião não tenha vontades próprias e nem capacidade de tomar alguma decisão, uma coisa não se pode negar é ” vida”, e com ela ninguém brinca! Aliás porq não tentar fazer tais avanços com células-tronca adultas, já que as embrionárias tem grande risco de desenvolver tumores!

Eventual terapia com células-tronco embrionárias humanas não poderia ser idealizada somente em função do excelente resultado obtido em camundongos, quando se constatou, à época, que “a célula-tronco embrionária é o único tipo celular capaz de se diferenciar em neurônio”. Cabe lembrar que estas células, como toda célula nucleada, expressam proteínas próprias (denominadas HLA em humanos) que registram biologicamente cada um dos indivíduos da espécie: a diferença nestas proteínas, entre o doador e o receptor de enxertos, é a causa da rejeição imunológica. Entretanto, nos estudos com camundongos, foram utilizados animais geneticamente idênticos (clones), o que permitiu a transferência de células-tronco embrionárias a animais adultos na ausência de rejeição. Estes resultados só seriam observados na espécie humana se o doador das células (no caso, o embrião) e o receptor das mesmas (o paciente/deficiente físico) compartilhassem o HLA, como ocorre entre gêmeos monozigóticos e, com probabilidade de 25%, entre irmãos de uma mesma família. A celeuma é meramente científica!
Devemos apoiar, portanto, as pesquisas com células-tronco ADULTAS, incluindo as células iPS que tiveram seu potencial de uso em terapia recentemente comprovado, pois sendo células autólogas (derivadas do próprio paciente/deficiente físico) não precisam enfrentar a rejeição imunológica, e a sua utilização para tratamento de doenças graves independe da aprovação do Artigo 5º da Lei de Biossegurança.
Aproveito para endossar as palavras da geneticista Paula Costa: “o comentário sobre a utilização de células-tronco embrionárias ao invés de adultas, com objetivos de obter financiamento, é absurdo” (Folha Online 27/04/2008).

vao comer pudim =D

vc axa certo tirar a vida de um ser pra ajudar outro???

By:. toOM

infelizmente axo que vc esta sendo uma pessoa completamente patetica…
em acreditar nisso tudo…

Ei nos estamos no Brasil um pais de desonestos, concerteza os pobres se engravidariam so para poder vender seus embriões…
pense nisso…

axo que é vc que tem que refletir seus ideais e seus principios…

By:. toOM

Deixe uma resposta